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EXCLUSIVO: Pai de vereador de Joinville é acusado de assédio, chantagem sexual e perseguição

O caso está sendo investigado pela justiça desde abril deste ano contra Evaldo Batista de Oliveira, pai do vereador Pastor Ascendino Batista (PSD). .

Atualizado em 29/07/2025 às 19:07, por Leandro Schmitz.

O Chuville Notícias teve acesso, com exclusividade, a uma denúncia contra o pai do vereador Pastor Ascendino Batista (PSD), Evaldo Batista de Oliveira. O caso, formalizado em uma notícia-crime, inclui acusações de tentativa de estupro, violação sexual mediante fraude e divulgação de material íntimo. Como pano de fundo está a sociedade em uma empresa de pesca, firmada em 2020 em Itajaí. A defesa de Evaldo alega distorção dos fatos e os detalhes estão sendo acompanhados em uma ação judicial, que está prestes a tramitar em segredo de justiça.

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Entenda o que aconteceu

Joana* relatou que os abusos começaram em 2020, quando ela e o marido Cesar* enfrentavam dificuldades financeiras e buscavam um investidor para retomar as atividades de pesca com três embarcações, que ficavam em Itajaí e Camocim, no Ceará. Foi então que conheceram Evaldo pela internet, firmando sociedade logo em seguida.

O acordo era injetar R$ 100 mil para reformar um dos barcos e mais R$ 200 mil para operacionalizar o trabalho em Camocim. Joana* e Cesar* entrariam com o trabalho e os barcos e Evaldo entraria com dinheiro.

Segundo Joana*, após o primeiro investimento, Evaldo começou a condicionar garantias, como por exemplo, passar os barcos e a residência do casal para seu nome em troca de apoio financeiro. Como sua situação era crítica e o casal estava no Ceará, longe de casa, cederam.

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Logo depois outras investidas teriam começado, como exigências sexuais com Joana*. “Na primeira vez que ele propos isso eu falei que eu era casada, que nós tínhamos um acordo comercial e não era para misturar as coisas, foi então que ele passou a dizer que não mandaria mais o dinheiro, chegou a ficar algumas semanas sem mandar nada e nós lá precisando pagar insumos, nossa própria sobrevivência, nos deixou em uma situação tão delicada que fomos obrigados a aceitar a chantagem, mesmo não concordando”, conta ela.

Segundo relato que consta no processo judicial, Evaldo foi até o Ceará e consumou atos sexuais com Joana*, exigindo que tudo fosse gravado e fotografado. Esta reportagem teve acesso ao conteúdo, como prints de vídeos, prints de conversas por aplicativo e gravações de conversas ao telefone.

O relato ainda conta que, após uma briga feia entre o casal e Evaldo, onde definitivamente aquilo teria de parar, o mesmo teria ameaçado mostrar todo o conteúdo íntimo para familiares, além de usar o nome do filho, vereador Pastor Ascendino Batista, como fonte influente que poderia prejudicá-los em uma eventual represália.

Os prints a seguir mostram trechos com os assédios:

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Em uma das tentativas de acordo, Evaldo teria se comprometido a pagar um valor equivalente a três apartamentos a Joana*, desde que ela largasse o marido e vivesse com ele. Em um dos prints acima, ele a obriga a escrever um texto onde ela se comprometia com isso.

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Entre os Boletins de Ocorrência juntados ao processo, está um feito em julho do ano passado, onde Joana* relata invasão de Evaldo à sua propriedade, tentando inclusive estuprá-la, já que as relações sexuais condicionais teriam cessado. O fato só teria sido evitado com a chegada de Cesar*, que o teria expulsado. Após isso, familiares do casal começaram a receber o conteúdo íntimo praticado entre Joana* e Evaldo.

Prejuízos reclamados em processo

Segundo processo judicial em andamento, há mais de R$ 800 mil de prejuízos contratuais a serem recuperados. No entanto, segundo as vítimas declarantes, só um dos barcos que foram passados para o nome de Evaldo estaria avaliado em R$ 2 milhões, fora sua casa em Itajaí, avaliada em R$ 700 mil.

Por outro lado, Evaldo alega nos prints acima de que o casal deve a ele cerca de R$ 900 mil, afinal não houve retorno pelo valor investido.

Hoje, Joana* e Cesar* afirmam que perderam tudo o que tinham, trabalham com bicos para sobreviver e convivem com o constrangimento familiar e de amigos pelos fatos vividos. Em maio, tentaram medida protetiva contra Evaldo, que acabou sendo negada pela justiça.

O documento encaminhado à Vara Regional de Garantias da Comarca de Itajaí solicita, entre outras medidas, o afastamento imediato do acusado, proibição de contato com a vítima e seus familiares, além de busca e apreensão de dispositivos eletrônicos que possam conter material íntimo usado como instrumento de chantagem.

O que diz a defesa de Evaldo

Esta reportagem tentou contato com Evaldo, porém todos os telefones disponíveis no processo estavam desligados. Sua advogada de defesa, no entanto, protocolou no último dia 14, uma réplica, alegando que Joana* e Cesar* estão distorcendo os fatos, dizendo inclusive que Evaldo é idoso e, em condição de vulnerabilidade, teria sido enganado pelo casal.

Quanto aos vídeos e fotos íntimas, bem como prints de conversas, a defesa julga como “ilícitos” e “imprestáveis”, contextualizando uma “falsidade produzida” pelo casal.

O documento pede ainda que o processo passe a tramitar em segredo de justiça e que os conteúdos íntimos sejam retirados de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados. Quanto aos valores que foram pagos por Evaldo, a defesa pede que a quantia seja restituída.

Porém, está juntada ao processo a declaração de compra e venda do imóvel que teria sido de Joana* e Cesar*, conforme abaixo:

Tanto Evaldo, quanto seu filho, o vereador Pastor Ascendino Batista, mantém no bairro Jardim Paraíso a igreja evangélica “Amamos Vidas”. Em fevereiro do ano passado, o Chuville Notícias publicou reportagem onde o vereador foi acusado de envolvimento com menores de sua igreja, fato que teria ocorrido em 2015. A matéria chegou a ser vítima de censura a pedido da defesa do parlamentar, porém o Chuville ganhou na justiça o direito de republicação.

  • Os nomes marcados com * foram trocados como proteção e sigilo da fonte, conforme determina o artigo 5º, inciso XIV da Constituição Federal de 1988.

Leandro Schmitz

Com formação em Jornalismo pelo Ielusc, MBA em Marketing e Comunicação Integrada pela Aupex, já atuou em diversos veículos de comunicação, como Rádio Mais FM (Hoje Nativa FM), Rádio Udesc FM, Jornal Notícias do Dia e Folha Metropolitana. Foi vencedor do Prêmio Jornalismo Unimed 2010, vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025) e finalista do Prêmio Fenabrave Jornalismo (2013). Tem experiência em todas as plataformas: rádio, jornal, internet, vídeo. No setor público já atuou na gestão de comunicação de pastas e assessoria na Câmara de Vereadores. Hoje também é servidor público concursado do município.