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Governo Adriano gasta 97% a mais em pontes do que em drenagem e dragagem de rios

Ações evitariam enchentes. Contrato de revisão do plano de drenagem da bacia do Rio Cachoeira, com previsão de entrega no final de 2025, tem apenas 34% executado e custo de R$ 2,7 milhões.

Atualizado em 02/01/2026 às 15:01, por Fagner Ramos.

Quatro homens sentados ao redor de uma mesa, em ambiente interno iluminado por janelas ao fundo. Todos vestem coletes laranja com faixas azuis e identificações da Defesa Civil. Eles estão em posição de conversa, com expressões atentas, olhando uns para os outros, como em uma reunião. A mesa é clara e o espaço aparenta ser uma sala administrativa ou de coordenação, sem público visível.

Prefeito Adriano Silva e representantes da Defesa Cívil - Foto Secom

Em cinco anos do governo Adriano Silva, o prefeito do Partido Novo investiu cerca de R$ 375 milhões na construção de pontes e R$ 11 milhões em obras de dragagem e drenagem de rios para enfrentamento de enchentes, uma diferença de 97%, segundo dados do Portal da Transparência.

Durante o mandato de Adriano Silva, foram entregues as Pontes do Pico, com custo de R$ 679 mil, Ponte Nacar, no valor de R$ 6,4 milhões, Ponte da Estrada Quiriri, com R$ 3,9 milhões, Nova Ponte do Rio Cachoeira, orçada em R$ 9,5 milhões, e estão em andamento as obras da Ponte Joinville, que até o momento estão orçadas em R$ 354.952.669.

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Quando o assunto são ações para enchentes, o investimento é mais modesto e burocrático. Duas obras de macrodrenagem foram realizadas pelo governo Adriano Silva: a Macrodrenagem das Bacias Hidrográficas dos Rios Jaguarão e Bucarein, com custo de R$ 5,3 milhões, e a obra de Macrodrenagem e Dragagem no Rio Águas Vermelhas, no valor de R$ 2,7 milhões. As obras de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Rio Itaum-Açu, iniciadas em 2019, foram paralisadas em 2022, com menos de 40% do planejamento executado e custo de R$ 3,3 milhões.

Convivendo há décadas com enchentes, o município de Joinville criou, em 2011, durante o governo de Carlito Merss, o Plano Diretor de Drenagem Urbana da Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira, o PDDU para enfrentamento de alagamentos e enchentes. O plano contém 21 propostas de macrodrenagem na bacia do Rio Cachoeira, incluindo áreas sujeitas a inundação, com custo estimado, em valores atuais, na casa dos R$ 3 bilhões. Apenas uma obra foi realizada, a macrodrenagem do Rio Morro Alto.

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Sem andamento concreto no governo de Udo Döhler, o governo de Adriano Silva contratou, em 2023, uma empresa de consultoria para realizar a revisão do PDDU. O contrato, orçado em R$ 2.774.765,27, previa a finalização dos estudos em 20 meses, com entrega prevista para o final de 2025. Até o momento, segundo o Portal da Transparência, apenas 34% do estudo foi realizado e, em 26 de novembro de 2025, foi adicionado um aditivo de prorrogação.

Desde o começo de dezembro, com o início da temporada de chuvas, quase sempre acima das médias esperadas, Joinville segue o rito de ruas alagadas, aulas suspensas, caos no transporte público devido às enxurradas e prejuízos no comércio. Nas redes sociais, o prefeito Adriano Silva e a vice-prefeita Rejane Gambin, vestidos com os tradicionais coletes laranjas da Defesa Civil, que faz um bom trabalho, também seguem o rito de cinco anos de avisar a população sobre o que deve ser feito para evitar desgastes e minimizar prejuízos.

Procurada pela reportagem do Chuville para obter um posicionamento sobre o status do PDDU, a prefeitura informou que irá se manifestar após o recesso de final de ano.


Fagner Ramos

Formado em Jornalismo pelo Ielusc (2025). Vencedor do Prêmio Celesc de Jornalismo (2025).